Mercado financeiro e crise universitária: a semana agitada das “CSNs”
3 min read
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) precisou vir a público recentemente para dar explicações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O mercado andava agitado com especulações de que a empresa faria uma liquidação de ativos, circulando inclusive boatos de que toda a operação de siderurgia seria vendida. A direção da companhia tratou de acalmar os ânimos ao esclarecer que as notícias têm origem em um fato relevante publicado em 15 de janeiro de 2026. Naquele momento, a direção informou apenas que estava avaliando formas estruturadas de repassar algumas fatias de seus negócios, uma manobra focada estritamente na redução do endividamento.
Neste processo de arrumação da casa, a empresa admite que realmente estuda abrir mão de uma parte considerável na área de infraestrutura e até passar adiante o controle da CSN Cimentos. A divisão de siderurgia também passa por um pente-fino, buscando alternativas estratégicas para gerar mais caixa. A administração, porém, foi categórica ao negar a existência de conversas avançadas ou compradores já definidos. Falar em percentuais exatos de venda agora é pura especulação. Para a frente de siderurgia, sequer um assessor financeiro foi contratado, o que reforça a ausência de novidades que justifiquem soltar novos comunicados oficiais aos investidores.
O clima esquenta no campus americano
Enquanto a CSN brasileira tenta organizar seus balanços e afastar os rumores do mercado, outra instituição conhecida pela mesma sigla enfrentou uma semana de forte pressão política e social nos Estados Unidos. O College of Southern Nevada (CSN) lidou com protestos inflamados de alunos e funcionários, exigindo a expulsão de recrutadores da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) das feiras de emprego do campus. A revolta local é um reflexo direto do endurecimento nacional das políticas de imigração, que ganharam contornos mais severos com as ações de deportação em massa do governo Trump.
Stacy Klippenstein, presidente da instituição acadêmica, inicialmente bateu o pé e defendeu a manutenção do cronograma. Ele enviou uma mensagem a toda a comunidade universitária afirmando que a agência era uma parceira de longa data nos eventos de recrutamento do sul de Nevada e que continuaria presente. Klippenstein até tentou apaziguar a situação separando as atribuições da CBP do trabalho exercido pelo ICE, que é o órgão diretamente responsável pelas deportações internas no país. Na visão dele, o clima político polarizado estava causando confusão e alimentando mal-entendidos.
A reviravolta e o recuo das autoridades
A tentativa de justificar a presença da agência não convenceu, muito em função do histórico recente e violento envolvendo as forças de fronteira. Agentes da CBP assumiram um papel muito mais ostensivo nas operações internas dos Estados Unidos, sendo deslocados para missões na Califórnia, Illinois e Minnesota. A tensão escalou drasticamente este ano, resultando na morte de dois manifestantes por agentes federais. Um dos episódios mais chocantes foi o assassinato de Alex Pretti, em Minneapolis, que morreu após ser baleado por um oficial da Patrulha de Fronteira e outro da CBP.
Diante do rápido desgaste de imagem, a situação no campus sofreu uma guinada na terça-feira. A agência federal recuou e cancelou oficialmente sua participação na feira de carreiras. Após uma conversa franca com a liderança do College of Southern Nevada, os recrutadores disseram que o objetivo era apenas buscar novos profissionais, sem qualquer intenção de impactar negativamente o evento. Klippenstein reconheceu publicamente a decisão da CBP em compreender a gravidade das preocupações levantadas pelos estudantes, dando um ponto final ao conflito que tomou conta dos corredores da universidade.