15 Janeiro 2026

Amazon desafia o varejo físico com nova “megaloja” enquanto analistas projetam década de crescimento

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A Amazon consolidou-se na última década como um titã indiscutível do mercado, alcançando uma capitalização de US$ 2,6 trilhões e entregando aos investidores de longo prazo uma valorização expressiva de 715% nos últimos dez anos. No entanto, longe de se acomodar no domínio digital, a gigante do e-commerce está orquestrando movimentos audaciosos tanto em sua infraestrutura tecnológica quanto no varejo de tijolo e argamassa, sinalizando que seu ciclo de crescimento está longe do fim.

A ofensiva física no território do Walmart

Em um movimento estratégico que marca uma mudança significativa de paradigma, a Amazon avança com planos para construir uma enorme unidade de varejo físico em Orland Park, Illinois, um subúrbio a sudoeste de Chicago. O projeto, aprovado preliminarmente pela comissão de planejamento local em janeiro de 2026, prevê uma estrutura térrea entre 20.900 e 21.200 metros quadrados (aproximadamente 225.000 a 229.000 pés quadrados).

Para colocar em perspectiva, essa nova unidade supera o tamanho médio de um Walmart Supercenter. O conceito visa reunir, sob o mesmo teto, mantimentos frescos, itens essenciais para o lar e uma vasta gama de mercadorias gerais. O local escolhido é estratégico: um terreno de 35 acres em um corredor comercial de alto tráfego que já abriga concorrentes de peso como Costco e Target.

O design da loja reflete a obsessão da empresa pela eficiência logística, integrando a experiência de compra física com o digital. O projeto inclui docas de carregamento para suportar tanto as operações da loja quanto os serviços de entrega, além de áreas dedicadas para a retirada de pedidos online. Se aprovada pelo conselho da vila no final deste mês, a construção poderá começar já na primavera de 2026.

Aprendendo com o passado para dominar o futuro

Esta iniciativa representa a mais recente — e talvez a mais agressiva — tentativa da Amazon de decifrar o código do varejo físico, onde os supermercados servem como a principal atração para fidelizar clientes. A empresa já experimentou diversos formatos, desde as lojas Amazon Fresh e a tecnologia das unidades Amazon Go, até conceitos que não ganharam tração, como livrarias físicas e lojas de “4 estrelas”.

A nova aposta em Orland Park alinha-se ao modelo consagrado pelo Walmart, combinando alimentos com mercadorias gerais. É uma resposta direta à concorrência: enquanto a Amazon ultrapassou US$ 100 bilhões em vendas brutas de supermercado em 2024, o Walmart registrou US$ 276 bilhões em vendas de alimentos e bebidas no ano fiscal de 2025. A entrada direta na arena das grandes superfícies (big-box) sugere que a Amazon busca capturar uma fatia maior da experiência de compra presencial, alavancando suas vantagens em logística e preços.

Fundamentos sólidos para os próximos 10 anos

Enquanto expande sua pegada física, a saúde financeira da empresa sugere que as ações da Amazon (AMZN) continuam sendo uma compra inteligente para a próxima década. Apesar de já ser um empreendimento gigantesco, o crescimento da receita permanece robusto. Além da penetração contínua do e-commerce, a empresa está vendo ganhos notáveis em seus esforços de publicidade digital, com as vendas de anúncios disparando 22% no terceiro trimestre de 2025.

Outro motor crucial é a computação em nuvem. A Amazon Web Services (AWS) mantém uma posição de liderança, e o CEO Andy Jassy estima que 85% dos gastos globais com TI ainda não migraram para a nuvem, indicando um vasto mercado endereçável. Há também um interesse acentuado dos clientes da AWS em trabalhar com ferramentas de inteligência artificial (IA), buscando a funcionalidade e segurança que a plataforma oferece para suas cargas de trabalho principais.

Avaliação e perspectiva de investimento

Para o investidor atento, a avaliação da empresa pode parecer esticada à primeira vista, com uma relação preço/lucro (P/L) de 35, superior ao múltiplo de 25,7 do S&P 500. Contudo, essa métrica exige contexto. A estratégia histórica da Amazon nunca foi maximizar lucros de curto prazo, mas sim reinvestir agressivamente em novas iniciativas — como a construção da megaloja em Illinois e a expansão da infraestrutura de IA.

Isso significa que o verdadeiro poder de lucro da Amazon é provavelmente maior do que os documentos da SEC mostram. Olhando para 2036, é difícil imaginar um cenário onde as receitas e lucros não sejam substancialmente maiores, sustentados por fortes ventos a favor e um “fosso econômico” amplo derivado de efeitos de rede e escala.

Embora o mercado de tecnologia esteja passando por mudanças rápidas com a corrida do ouro da IA e novos investimentos em infraestrutura nos EUA, a combinação de domínio no varejo online, expansão física calculada e liderança na nuvem posiciona a Amazon como uma holding que ainda vale a pena manter ou comprar. A diversificação entre o mundo digital e a nova fronteira das lojas físicas gigantescas reforça a tese de que a empresa continuará sendo uma força dominante na economia global.